sexta-feira, 22 de julho de 2016

"Quanto de mim eu aplico naquilo que eu faço?"
Essa é uma pergunta que me persegue o tempo todo.

Somos constantemente bombardeados por duas correntes distintas: a primeira que diz que devemos nos entregar, que devemos aplicar corpo e alma nos trabalhos que realizamos, que devemos nos doar por inteiro aos nossos relacionamentos - sejam eles de qualquer natureza - e que devemos buscar a satisfação e o crescimento pessoal em tudo. Essa é a posição bonita, a ser defendida em público, nos eleva quase automaticamente à categoria de pessoa interessante, de espírito elevado, com um quê de misticismo e mistério. É a corrente do "deixa a vida me levar".*

Tudo muito lindo, muito poético, rende gifs compartilháveis no instagram, posts bonitos no facebook. Mas, quanto disso é verdade?

A outra corrente - essa que realmente acorrenta - é a que não costumamos expressar publicamente. Você sabe, não pega bem dizer que o medo faz você pensar duas vezes antes de mandar aquela mensagem no meio da noite, em deixar aquele trabalho que você não gosta mas que dá segurança - afinal há contas pra pagar - em explicitar os sentimentos pra alguém que você sabe que não sente o mesmo, etc, etc, etc. E "vai meu bloco, tristeza e pé no chão..."*

E enquanto as correntes te puxam ora pra um lado, ora um pro outro, enquanto você quase se parte ao meio sem saber pra onde pende, as perguntas não param.

Quanto do que você faz por espontaneidade é confundido com inconsequência e repreendido (até por você mesmo, intimamente, às vezes)?
Quanto da sua inconsequência você atribui ao seu espírito destemido?
Quanto do que você não faz é por prudência ou medo do ridículo?
Ou, ainda, quanto os olhos dos censores ainda te limitam enquanto você chama a isso "autopreservação"?

Quanto de você traduz aquilo que você realmente quer ser?

Porque eu não sei se encaro essa vida como passista ao som frenético da bateria. Aliás, eu queria ser a a rainha da Bateria! Ou, se "eu sambo direitinho, assim, bem miudinho" porque eu sei que é mais fácil de um "você" genérico gostar...

Acho que se eu pudesse definir o ritmo da minha evolução nessa Avenida, ela desceria a ladeira, capotando, rolando e rindo. Mas, o freio da inadequação me avisa que a escola precisa de uma paradinha, às vezes, antes de retomar o ritmo frenético.

Ps.: E o samba apareceu por aqui, meio sem ser convidado, mas, samba é a melhor música pra alegria, pra tristeza...pra qualquer coisa, enfim.

sambas citados aqui:
1 - Deixa a vida me levar - Zeca Pagodinho
2 - Tristeza e Pé no Chão - Armando Fernandes
3 - Cabide - Mart'nália


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