quarta-feira, 25 de março de 2015

terça-feira, 03 de março de 2015
Pra ele

Me desculpe por hoje.

Uma coisa que eu me prometi - e que prometi a você também - é que não iria correr pra você quando não segurasse a onda da minha decisão de me afastar. Mas, é difícil romper os hábitos, né?

Não queria que você ficasse pensando em minha tristeza. Eu estou triste, é claro. Mas, não é como se eu fosse uma vítima de uma confusão maior que eu. Maior que eu são os fatos. E o fato é que eu sempre tive essa necessidade em mim: a de estar sozinha antes de estar com alguém. Mas, sempre tive muito medo também. E eu queria que você soubesse que eu não apenas “sinto” que preciso estar sozinha. Eu sei. É uma necessidade que me ultrapassa, que vai além de mim.

Eu preciso disso! Eu preciso saber o porquê das minhas escolhas. O porquê das minhas atitudes. O porquê da minha forma de me relacionar com as pessoas. O que eu sinto que preciso ser e fazer. Eu preciso entender de mim, antes de tentar entender outra pessoa.

Eu precisei decidir por mim. Porque se eu não fizesse isso, eu buscaria em você, ou melhor, eu tentaria te obrigar a ter tudo o que eu sentisse falta em mim. Seria frustrante pra mim. Seria frustrante pra você. E você não merece isso. E nem eu, espero.

Mas, você... Você me fez sentir “junto”. E eu, já tão acostumada a ser sozinha, relutei, duvidei, mas me senti junto sim, várias vezes. Sem a segurança que você sente. O que a gente chama de certeza. Querendo muito acreditar que “pra sempre é logo ali” e, às vezes, até acreditando, através da sua crença que é tão forte. Mas, muitas vezes, duvidando dessa sensação de pertencimento, mesmo sem querer enxergar essas dúvidas. Tudo isso esteve sempre aqui. Desculpe não ter tido a maturidade para entender e dividir com você.

Você foi o meu melhor amigo por 5 anos. E hoje, eu sinto falta de falar com você. Eu queria poder ligar pra saber como você está, queria que você me contasse o que anda fazendo. Mas, eu sei que não posso fazer isso também.

Eu também queria muito que você soubesse o quanto você é importante pra mim. O quanto eu acho que foram lindos os nossos momentos juntos. Que eu sinto saudade. E que eu não vou te apagar de uma hora pra outra. Nem vou te esquecer. Você tornou tudo mais fácil. E também tornou mais difícil. Eu não seria a pessoa que sou hoje sem você. E, talvez, nem tivesse coragem pra tomar uma decisão tão difícil. Eu cresci muito contigo. Mas eu preciso de um tempo só comigo agora.

Não sei que tempo é esse, não sei quem eu serei ao final disso. Mas, como eu te disse, eu não sei como fazer isso de outro jeito. Eu vou me afastar de novo. E vou deixar que você me procure quando quiser, quando puder, se quiser. Sinto por ter te decepcionado. Eu quis muito ser a pessoa que você queria.


domingo, 08 de fevereiro de 2015
Sobre nós

Eu acabo de escrever o título e penso que não sei o que significa o “nós”. Nós, eu e ele? Ou nós, esses tantos embolados, emaranhados e os que eu não ouso desatar?

Todos os dias eu penso nele. Penso em ligar pra ele. Penso na saudade que sinto. E todos os dias eu desisto. Todos os dias eu penso em escrever um e-mail e todos os dias eu desisto. Penso em mandar um whatsapp, uma mensagem de texto, um recado no facebook. E desisto.

Por que? “Pra dizer o que?” seria a pergunta correta. O que eu poderia dizer?

Olha, desculpa, eu só queria dividir contigo a saudade que eu estou sentindo de você desde que eu terminei contigo sem você querer. Mas, isso não significa que eu quero voltar, eu não tenho certeza disso, como não tenho certeza de nada, era só vontade de conversar contigo mesmo.

O que eu pretendo? Que ele me faça sentir melhor? Que me alivie a culpa dizendo que está bem e ele até estava pensando em terminar comigo mesmo? Ou que ele me diga alguma palavra mágica que me faça encontrar definitivamente a certeza que eu passei cinco anos perdendo e encontrando, encontrando e perdendo, sempre sem saber onde a tinha deixado desde a minha última crise silenciosa?

Porque é aí que eu acho que errei. É a única coisa que me parece possível melhorar, já que eu não sei mesmo como encontrar essa certeza maldita. Eu penso que errei em silenciar as crises, aquelas que pareciam tão pequenas, mas que eram tão recorrentes e por isso não deveriam ter sido ignoradas.

Aquelas pequenas dúvidas, aqueles repetidos “se’s”, aquelas inquietações. Mas, o medo de deixa-lo inseguro era sempre maior. Mas, eu deveria ter gritado a plenos pulmões: “desculpa, eu não sou essa mulher de certezas absolutas, eu sou cheia de dúvidas, eu não sei se eu quero casar, eu não sei se devemos morar juntos, eu não consigo fazer tantos planos, eu não gosto de certezas definitivas, vamos viver um dia de cada vez!!! Por favor...”


Se eu tivesse dito tudo isso antes, ainda que sem jeito, ainda que pedindo desculpas antecipadamente, talvez eu não estivesse pedindo desculpas agora. Talvez, ele tivesse me pedido desculpa por não suportar tanta indecisão. Talvez ele tivesse ido embora antes. Talvez ele tivesse me ajudado a resolver essas questões. Talvez ele simplesmente respeitasse esse meu jeito sem-definições de ser.  Talvez isso, talvez aquilo, talvez aquilo outro...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Cheguei.

Após o investimento em tempo, estudo, emoção, dinheiro e tudo, absolutamente tudo de que eu dispunha, concluí o meu plano: estava no emprego que desejava, no local onde desejava.

Algumas coisas fugiram um pouco do projeto inicial, tanto no plano do trabalho, quanto no plano pessoal. Algumas para melhor, outras nem tanto. Mas, eu estava lá, enfim.

Depois de tanto tempo de projeção, no entanto, eu não tinha noção de como me sentiria quando as mudanças finalmente se apresentassem. Por mais que as tivesse esperado por muito tempo e trabalhado para que acontecessem, agora que elas estavam ali, eu não tinha dimensão do quanto poderiam afetar o universo que estava há tanto tempo formatado ao meu redor.

E o processo de ressignificação das coisas não acompanhou a velocidade com que as mudanças aconteceram. Estanquei. Parei de pensar. Mas, tornou-se óbvio que as coisas não ocupavam mais os mesmos espaços de antes, não ocupavam o mesmo tempo, não cabiam nos mesmos lugares , (não precisavam mais existir?).

Questionar esmiuçadamente cada aspecto das minhas escolhas até então já fazia parte dos objetivos que nortearam essa empreitada. A escolha pela distância, por exemplo, estava intrinsecamente relacionada a isso.

Quem, o que, qual condição, qual espaço, quais referências haviam construído as verdades ou certezas que eu ousava repetir sem pensar? Quais desses elementos moldaram os meus planos e definiram as minhas atitudes até então? Essas eram as dúvidas basais de um processo longo de questionamento que eu me propunha (ou, melhor, me permitia) vivenciar.

Pois, era necessário questionar e requestionar tudo para entender o que foi vivido até então e, principalmente, para definir como se viver dali em diante. Deixar de ser produto de "falsas escolhas" - atos cometidos irrefletidamente sob o jugo de valores que nem se sabiam realmente seus - e fazer com que as escolhas fossem resultados de uma consciência não apenas sobre onde se deseja chegar, mas e muito mais, sobre que tipo de indivíduo realmente se deseja ser; a partir de quais premissas realmente deseja conduzir suas decisões; de que modo deseja viver.

Esse era um projeto solitário. Afinal, qualquer influência anterior traria consigo verdades anteriores. O isolamento que essas questões provocavam, no entanto, só se tornou claro quando aconteceu. Apesar de inevitável, isso não foi pensado e quando aconteceu, ainda foi um choque.

Foi preciso romper os laços, assim como era preciso esquecer os caminhos, os hábitos, reconstruí-los a partir do que era estritamente pessoal. Foi como um surto de razão. Mas, não havia nada de repentino, na verdade.

Tudo foi construído de modo a me trazer até aqui. E apesar de não ter dimensionado os "efeitos colaterais" dessas escolhas, a necessidade de tê-las feito é de uma certeza palpável. Por ora, a única certeza a ser mantida.