quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Espaço, vácuo e vazio

Não sei dizer o que quero agora de um relacionamento.
Eu sempre me doo mesmo e sempre vou me doar. É de mim tentar ser essa parceira, ser amiga, deixar o outro saber que pode contar comigo, se precisar.
Mas, e quando esse movimento se torna apenas unilateral? Quando se percebe que o outro não tem o mesmo interesse, a mesma doação, ainda que não seja por mal, mas talvez por apenas não saber dividir, não saber compartilhar?
E como saber se é isso mesmo? Uma dificuldade de sair da própria concha, de demonstrar uma fragilidade, ou se é egoísmo mesmo ou desinteresse?

Queria ser essa pessoa mais desapegada, elevadíssima, que doa sem esperar em troca.
Mas será que vale mesmo a pena?
Será que não é um desperdício de energia, me colocar na posição de aceitar as migalhas de afeto e afeição que eu recebo de modo inconstante, a cada variação de humor e disponibilidade do outro?

A paixão é rasa. Eu sei.
Portanto, não há muito o que esperar de alguém que se diz apaixonado, até porque paixão se pega quase como gripe. Basta aparecer outro alguém que por um instante pareça mais interessante e traga aquele frescor de novidade, pra você se tornar a lembrança entediante de uma conexão onde já houve algum conflito. E aí, você perdeu. Sua vez passou. E você nem ao menos será avisada disso, talvez.
Vai ter que ler as entrelinhas das mensagens - ou da ausência delas - daquele que se diz egoísta, que precisa apregoar a solteirice aos quatro ventos, como um modo de te mostrar "indiretamente" que não tem laços de verdade com você. E você que se vire com as expectativas que você - não - criou sozinha.

Esse modo esquivo de fugir e se eximir da responsabilidade pelo que se disse, fez, e provocou anteriormente, é covarde demais! E, além da frustração, soma ao outro mais um milhão de dores: da rejeição, da falta de cuidado, da falta de respeito mesmo. A convicção de não estar sendo visto com a tal da "empatia", a não-aplicação da lógica do "não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você". Sim, é egoísmo mesmo. Não há um pingo do tal amor que a gente costuma esperar aí.

E não falo do amor tradicional, romântico, que precisa construir planos de futuro e assumir posturas engessadas de relacionamento. Falo do amor que se tem por outro ser humano mesmo, aquele que entende que se há um vínculo sexual, deveria paralelamente e, principalmente, haver um vínculo afetivo. Porque é esse tipo de vínculo que eu espero formar com as pessoas que entram na minha vida.

Que a paixão passe, mas reste o respeito, a consideração, uma amizade até. Porque, apesar das intenções terem mudado, você sente que ainda assim o outro te enxergou como um igual e cuidou de tratar de você, mesmo na hora difícil do rompimento, com o mínimo que se espera entre pessoas que dividiram sua intimidade.

Me vejo até o último momento querendo "cuidar" de quem não demonstra nenhuma intenção de ter cuidado comigo. E não sei se isso é realmente altruísmo ou algum tipo de autoflagelação.
Não quero ser alguém que implora por afeto. E também não quero me tornar uma pessoa dura, que reproduz esse comportamento que acho tão desumano.

Encontrar esse equilíbrio é um desafio tão grande, talvez o maior desafio que me pego tentando enfrentar agora, mesmo em meio a tantas outras dificuldades internas que já me dispus a enfrentar. Porque, parece necessário criar uma casca que não possa ser ultrapassada pela indiferença e descaso de alguém a quem devotamos carinho, cuidado e, talvez um resquício desse amor real e despretensioso que buscamos.

E a briga entre o ego, a rejeição e a vontade de "elevação espiritual" me faz questionar, obviamente, se essa dor provocada pela frieza alheia reflete que nem eu mesma alcancei esse sentimento desapegado que eu espero receber do outro.

E eu falo, falo, penso, e não chego a conclusão alguma. E os altos e baixos desse tentar entender me destroem em crises de ansiedade e de um sofrimento que eu novamente questiono: eu preciso mesmo enfrentar? E quanto dele é de minha própria responsabilidade?

Juro que queria uma confirmação de que tudo isso depende inteiramente de mim, porque eu tenho a esperança, talvez ingênua demais, de que aquilo que me cabe eu posso resolver. Mas, resolver o que vem do outro e me atinge, isso eu ainda não sei como fazer.