quarta-feira, 25 de março de 2015

domingo, 08 de fevereiro de 2015
Sobre nós

Eu acabo de escrever o título e penso que não sei o que significa o “nós”. Nós, eu e ele? Ou nós, esses tantos embolados, emaranhados e os que eu não ouso desatar?

Todos os dias eu penso nele. Penso em ligar pra ele. Penso na saudade que sinto. E todos os dias eu desisto. Todos os dias eu penso em escrever um e-mail e todos os dias eu desisto. Penso em mandar um whatsapp, uma mensagem de texto, um recado no facebook. E desisto.

Por que? “Pra dizer o que?” seria a pergunta correta. O que eu poderia dizer?

Olha, desculpa, eu só queria dividir contigo a saudade que eu estou sentindo de você desde que eu terminei contigo sem você querer. Mas, isso não significa que eu quero voltar, eu não tenho certeza disso, como não tenho certeza de nada, era só vontade de conversar contigo mesmo.

O que eu pretendo? Que ele me faça sentir melhor? Que me alivie a culpa dizendo que está bem e ele até estava pensando em terminar comigo mesmo? Ou que ele me diga alguma palavra mágica que me faça encontrar definitivamente a certeza que eu passei cinco anos perdendo e encontrando, encontrando e perdendo, sempre sem saber onde a tinha deixado desde a minha última crise silenciosa?

Porque é aí que eu acho que errei. É a única coisa que me parece possível melhorar, já que eu não sei mesmo como encontrar essa certeza maldita. Eu penso que errei em silenciar as crises, aquelas que pareciam tão pequenas, mas que eram tão recorrentes e por isso não deveriam ter sido ignoradas.

Aquelas pequenas dúvidas, aqueles repetidos “se’s”, aquelas inquietações. Mas, o medo de deixa-lo inseguro era sempre maior. Mas, eu deveria ter gritado a plenos pulmões: “desculpa, eu não sou essa mulher de certezas absolutas, eu sou cheia de dúvidas, eu não sei se eu quero casar, eu não sei se devemos morar juntos, eu não consigo fazer tantos planos, eu não gosto de certezas definitivas, vamos viver um dia de cada vez!!! Por favor...”


Se eu tivesse dito tudo isso antes, ainda que sem jeito, ainda que pedindo desculpas antecipadamente, talvez eu não estivesse pedindo desculpas agora. Talvez, ele tivesse me pedido desculpa por não suportar tanta indecisão. Talvez ele tivesse ido embora antes. Talvez ele tivesse me ajudado a resolver essas questões. Talvez ele simplesmente respeitasse esse meu jeito sem-definições de ser.  Talvez isso, talvez aquilo, talvez aquilo outro...

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