Sobre nós
Eu acabo de escrever o título e penso que não sei o que
significa o “nós”. Nós, eu e ele? Ou nós, esses tantos embolados, emaranhados e
os que eu não ouso desatar?
Todos os dias eu penso nele. Penso em ligar pra ele. Penso
na saudade que sinto. E todos os dias eu desisto. Todos os dias eu penso em
escrever um e-mail e todos os dias eu desisto. Penso em mandar um whatsapp, uma
mensagem de texto, um recado no facebook. E desisto.
Por que? “Pra dizer o que?” seria a pergunta correta. O que
eu poderia dizer?
Olha, desculpa, eu só queria dividir contigo a saudade que
eu estou sentindo de você desde que eu terminei contigo sem você querer. Mas,
isso não significa que eu quero voltar, eu não tenho certeza disso, como não
tenho certeza de nada, era só vontade de conversar contigo mesmo.
O que eu pretendo? Que ele me faça sentir melhor? Que me
alivie a culpa dizendo que está bem e ele até estava pensando em terminar
comigo mesmo? Ou que ele me diga alguma palavra mágica que me faça encontrar
definitivamente a certeza que eu passei cinco anos perdendo e encontrando,
encontrando e perdendo, sempre sem saber onde a tinha deixado desde a minha
última crise silenciosa?
Porque é aí que eu acho que errei. É a única coisa que me
parece possível melhorar, já que eu não sei mesmo como encontrar essa certeza
maldita. Eu penso que errei em silenciar as crises, aquelas que pareciam tão
pequenas, mas que eram tão recorrentes e por isso não deveriam ter sido
ignoradas.
Aquelas pequenas dúvidas, aqueles repetidos “se’s”, aquelas
inquietações. Mas, o medo de deixa-lo inseguro era sempre maior. Mas, eu
deveria ter gritado a plenos pulmões: “desculpa, eu não sou essa mulher de
certezas absolutas, eu sou cheia de dúvidas, eu não sei se eu quero casar, eu
não sei se devemos morar juntos, eu não consigo fazer tantos planos, eu não
gosto de certezas definitivas, vamos viver um dia de cada vez!!! Por favor...”
Se eu tivesse dito tudo isso antes, ainda que sem jeito,
ainda que pedindo desculpas antecipadamente, talvez eu não estivesse pedindo
desculpas agora. Talvez, ele tivesse me pedido desculpa por não suportar tanta
indecisão. Talvez ele tivesse ido embora antes. Talvez ele tivesse me ajudado a
resolver essas questões. Talvez ele simplesmente respeitasse esse meu jeito
sem-definições de ser. Talvez isso,
talvez aquilo, talvez aquilo outro...
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