terça-feira, 16 de agosto de 2016

De passagem

Eu sempre me soube sozinha. Eu sempre me soube passageira.

E agora percebo que isso é um ponto de um contexto muito mais complexo: Eu não compreendo a longevidade como parte integrante das coisas.

Em minhas inúteis tentativas de visualizar o futuro ao longo da vida, nunca consegui prever algo num espaço enorme de tempo. "Como você se vê daqui a cinco anos? " É um exemplo de pergunta cuja resposta eu nunca consegui formular.

Adapte essa incapacidade de projeção a uma situação onde se inclua um relacionamento e ... o resultado será o mesmo.
Nunca consegui visualizar o futuro de uma relação, salvo por alguns pequenos lapsos semi-copiados de um companheiro empenhado. Uma imitação ruim da convicção alheia.

Não trago isso  como um problema, veja bem. Pra mim, é apenas uma constatação.

Se ao mesmo tempo, questiono a fugacidade das coisas, por não querer de modo algum ser uma pessoa superficial, por outro lado, não creio na manutenção de situação alguma por um grande período de tempo.

Não que isso indique realmente um trato pouco profundo, pelo menos eu acho que não trago as coisas no raso. Pelo contrário, eu gosto de intensidade, anseio por ela e tento extrair experiências consistentes das interações que tenho com o mundo e com as pessoas.

Mas, encaro a mudança, a necessidade de um recomeço, como algo inevitável.

E falar sobre isso assusta. Geralmente, as pessoas julgam que esse modo de ver as coisas me torna alguém que sairá correndo na primeira dificuldade. Acredite, é exatamente o contrário. E não há nada de contraditório nisso.

Eu acredito que se as coisas têm prazo pra acabar, é preciso extrair de qualquer experiência o máximo que ela pode te oferecer. Justamente por não saber quanto tempo ela pode durar. mas, não como alguém que chupa freneticamente uma laranja e cospe o bagaço. E sim, como alguém que saboreia cada pedacinho, pois cada porção é única e, sim, em algum momento, vai acabar.





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